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Pensando à primeira vista, parece que o tombamento da cidade de Parnaíba é um tributo ao ilustre passado da cidade ou uma referência aos edifícios antigos que referenciam a história e o desenvolvimento urbano do município. Tudo isto é verdade, mas o mais importante é que o tombamento vai muito além do tributo ao passado: ele reconhece e protege um dos maiores trunfos que a cidade de Parnaíba tem para o seu desenvolvimento e para o seu futuro. Para muitos, pode soar paradoxal, mas a preservação do patrimônio é um dos pressupostos do urbanismo contemporâneo. A humanidade sempre perseguiu, desde os primórdios da história, o sonho da cidade ideal. A última vez que esta aspiração foi buscada em verdadeira grandeza, em todo o mundo, foi com a inspirada construção de Brasília. Levados pela generosidade de propósitos, os modernistas acreditaram que a cidade racionalizada, dividida em funções, com larga estrutura de circulação de veículos e imersa em jardins, responderia aos anseios de urbanidade do homem do século XX – o que dominava a máquina e as ciências. Entretanto, no mesmo momento histórico em que o Brasil edificava sua nova capital em pleno planalto central do país, as ruínas da segunda grande guerra levavam muitos países ao dilema de como reconstruir as cidades arruinadas pelo conflito.

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Como deveria se dar esta reconstrução? Seguiriam o ideário modernista das cidades novas, propostas como futuro urbano da humanidade? Não foi este o caminho que a maioria das cidades escolheu: os povos que passaram pelo trauma de verem destruídas as suas cidades quiseram tê-las de novo, e a humanidade aprendeu que nas paredes antigas, nas esquinas e nas ruas estreitas, estavam impressas boa parte do sentido de pertencer, dos sentimentos e da memória coletiva dos lugares.

Desde então a história do urbanismo mudou, e depois de meados do século XX todas as cidades do planeta que estruturaram planos consequentes de desenvolvimento estratégico incluíram a preservação de seus núcleos e bairros históricos entre as metas prioritárias. A preservação do patrimônio edificado, dos núcleos históricos, e a reciclagem das áreas antigas, se incorporaram às metas de planejamento que visam garantir a qualidade de vida presente e futura das cidades do planeta.

Parnaíba é uma das cidades míticas do Brasil. Identifica-se com o ciclo do gado e dos produtos do sertão, com a carnaúba e o babaçu, com a navegação de cabotagem, e com o comércio marítimo internacional (após a abertura dos portos ocorrida e m 1808). Estrategicamente situada em uma das regiões mais belas do pa��s, em pleno Delta do Parnaíba, entre Jericoaquara e os Lençóis Maranhenses, debruça-se sobre o rio, justificativa maior da sua existência. É compreensível que estejam na orla seus edifícios mais antigos. Os galpões, que simbolizam o apogeu portuário, relacionam este período inicial com os processos subsequentes, de industrializaç��o e incremento das exportações.